segunda-feira, 31 de agosto de 2009

AGRADECIMENTO


Surpresa enorme quando cheguei por aqui e encontrei um recadinho do Newton, do "Blog do KG" - http://sentidohumanitario.blogspot.com/ - e vi meu nome e o desse blog na lista dos presenteados com o selinho acima!!!
Uma alegria enorme!!! Meu primeiro presente virtual! =)
Quero aproveitar para agradecer ao Newton pelo carinho. Sou leitora assídua do seu blog e conheço a beleza das suas palavras e seu constante olhar humano... melhor! humanitário!, sobre o mundo e seus problemas.
Como ele, penso que são nossas ações que podem modificar o mundo, aos poucos e lentamente. Juntos, construiremos um lugar melhor para todos nós.
Esse post é só para te agradecer, Newton, pela lembrança e grata surpresa!
Parece-me que devo, então, indicar este selo a mais dez blogs!
Sendo assim, indico, com muita felicidade, os queridos:


(este último, um blog lindo, ensinado-me por Patrícia, amiga querida que está na segunda posição dessa lista - que não segue ordem de "preferências", hein?! =)

Um abraço grande a todos!!!
E divitam-se com esses blogs, acima, maravilhosos!!!

Natalie S. Dowsley

sábado, 15 de agosto de 2009

O poder dos PRATINHOS


Existem pessoas muito especiais, que conseguem transformar idéias, sentimentos e palavras perdidas na nossa cabeça, em acontecimentos lindos, cheios de sentido e profundidade.
Quando esses eventos chegam em mim, sinto-me honrada em poder compartilhar.
Espero que esse texto, em especial, seja lido por muita gente!

Para contextualizar...
A autora, Ana Lúcia, atua na área de Recursos Humanos. Possui, portanto, grande contato com pessoas, e convive com a angústia de muitos que estão "disponíveis no mercado", desempregados. Ela sabe que, infelizmente, nós, profissionais de R.H., não podemos empregar todos os que estão em busca de trabalho.
Mas Aninha sabe, também, que é função primeira de qualquer profissional que assuma tal departamento oferecer um feedback aos candidatos que entrevistamos, aplicamos testes, provas, dinâmicas... e enchemos de esperança!
Esse retorno ao candidato é OBRIGAÇÃO dos selecionadores. E mesmo que não fosse: trata-se de algo maior, mais importante do que a "obrigação": trata-se de HUMANIDADE!
Muitos profissionais, no entanto, parecem estar perdendo tal característica, seja pelo corre-corre, pelas exigências da empresa que representam... ou porque esqueceram da tal EMPATIA, que falamos há pouco nesse blog...
A ausência de feedback é geral, não se restringe apenas ao retorno aos candidatos... As pessoas parecem não estar mais investindo na COMUNICAÇÃO... seja no trabalho, nas famílias, nas escolas, com os filhos, maridos, amigos, vizinhos...
Precisamos recuperar o respeito e o carinho com o próximo. Nosso mundo está pedindo por isso!

Com a devida autorização, espalho as palavras lindas dessa profissional excepcional:

"Bom dia, pessoal,

de volta de uma peregrinação paulistana que foi uma verdadeira acontecência, me peguei pensando em pratinhos e feedbacks. Explico.
Quando eu era menina, havia na vizinhança um saudável hábito.Sempre que se fazia alguma delícia mais extraordinária, um doce de abóbora, uma cocada, um bolo , levava-se um pedaço ao vizinho. A gostosura ia acomodada em um pratinho, em geral pertencente à melhor louça da casa , coberto com um daqueles guardanapos remanescentes do enxoval, com bordados e rendinhas.
O mais tocante era que o vizinho obsequiado, na primeira oportunidade, devolvia o pratinho recheado de suas próprias gostosuras: bolinhos, manjar, pastel, o que fosse. Sempre o melhor. O troca –troca de pratinhos se mantinha confiável por anos a fio. Cada vizinho empenhado em oferecer o melhor de si ao outro.
Este hábito, somado a outros, garantia a boa vizinhança, auxiliava na construção de relacionamentos longos e confiáveis.
O mundo mudou , os pratinhos se foram e com eles se foi, ao que parece, a disposição da melhor resposta a quem nos obsequia seja com gostosuras, seja com informação, serviços, ideias.
A ausência de feedback tão encontradiça em nosso meio se parece muitíssimo com a ausência da devolução do pratinho.
Vejamos: uma pessoa lança entre nós pedidos de indicação, de informação, de proposta de trabalho. A gente responde, investe tempo, queima a mufa, e depois...silêncio sepulcral. A gente insiste, culpa a net, acha que a mensagem não chegou e nada. O pratinho não volta. Isto dá um enorme vazio na vizinhança. Que falta faz!
Eu cá anseio pela volta da cortesia, dos pratinhos e da prática de oferecer respostas mesmo que desanimadoras àqueles que nos ofertam seu melhor.
Bem, a frase do dia, quem sabe, ajude , sensibilize.
A propósito, gostaria imensamente de saber o que vocês pensam a respeito.

“ A cortesia é a linguagem dos anjos.“
( Baden Powell)

Ana Lúcia de Mattos Santa Isabel
http://www.orioncomunicacao.com.br/ "

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

LoUcuRa


"A vida se vingava de mim, e a vingança consistia apenas em voltar, nada mais. Todo caso de loucura é que alguma coisa voltou. Os possessos, eles não são possuídos pelo que vem, mas pelo que volta. Às vezes a vida volta. Se em mim tudo se quebrava à passagem da força, não é porque a função desta era de quebrar: ela só precisava enfim passar pois já se tornara caudalosa demais para poder se conter ou contornar - ao passar ela cobria tudo. E depois, como após um dilúvio, sobrenadavam um armário, uma pessoa, uma janela solta, três maletas. E isso me parecia o inferno, essa destruição de camadas e camadas arqueológicas humanas."
(Clarice Lispector, "A paixão segundo G.H., 1998: p.70).


Não existe mais um critério completo ou completamente aceito sobre "loucura". Esta é uma daquelas palavras - como "guerra", "amor" e "saudade" - que não se consegue explicar inteiramente: sempre resta um pedacinho de palavra mal-explicado, incompreendido.
Assim é a loucura. Um mistério óbvio, maior do que o mordono homicida nos livros de suspense.
Todos sabem, ao menos em parte, o que é a loucura, mesmo que apenas uns poucos queiram realmente sabê-la, conhecê-la...
A barreira que separa os "sãos" da palavra loucura é, com certeza, bem mais forte do que a que separa as pessoas da loucura em si. Porque, para "enlouquecer", assim como para morrer, "basta estar vivo", como já diz a sabedoria popular.

A loucura é o que disse Clarice: a volta de coisas grandes, que se tornaram densas demais, com o passar do tempo, e que já não conseguem mais ficar estancadas: precisam sangrar.
E quem não tem, na vida, experiências e lembranças e sentimentos que, se pudesse, preferiria não ter? Coisas pesadas, que enchem o peito de escuridão quando vêm à tona...
Quando saudáveis, conseguimos colocar esses nossos pesos em sacolas grandes e resistentes - ao menos pensamos que elas são assim! - e as guardamos em armários, em um dos muitos que vivem em nós. Escolhemos os armários mais distantes e escuros para abrigar essas malas, pois não pretendemos voltar com freqüência a este local. Claro que, de vez em quando, ao longo da vida, uma coisa ou outra escapa dessas sacolas, desses armários, e nos visitam de surpresa, fazendo tremer as mãos e chorar a alma.

Mas a loucura é o mar revolto.
É quando todas as sacolas e armários indesejados resolvem se rebelar: fazem um grande motim, arrancam as algemas, destrancam as portas. E, de repente, voa tudo em cima de alguém. O caos domina.
Na loucura, o sofrimento é imenso, obviamente, já que todo o peso de uma vida despenca, com violência, sobre uma pessoa. Os traumas desse acontecimento são inevitáveis: ossos quebrados, fraturas expostas, medo do mundo inteiro, sentimento de incompreensão...
Por isso que o tratamento é difícil: são muitas feridas a cicatrizar.
Os remédios ajudam, as terapias ajudam, os amigos ajudam, a família ajuda: tudo pode ajudar, desde que realmente a intenção seja a de ajudar. Porque não é fácil, também, para os outros, os "de fora", conseguirem ajudar. Porque a loucura faz parte daqueles temas proibidos, assuntos-tabu, que a gente tem a sensação/ilusão de que, quanto menos falar/pensar, melhor, pois ficam mais longe de nós.
Por isso que não falamos com nossas crianças sobre a morte, a loucura, abusos sexuais, solidão... E por isso crescemos achando que essas são coisas muuuito distantes de nós!
E muitas vezes, por achar que o mundo pode ser feito só de alegrias, buscamos a "felicidade" como se fosse um item de supermercado: com pressa e avidez, ansiedade e desespero! Que tristeza essa imagem! Não fomos/somos educados para a vida. E faz parte da vida, de todas as vidas, momentos de diversos sabores e tons. Nenhuma vida é novela: todos os dias teremos momentos tristes e felizes, sãos e loucos... em intensidades que variam, claro, de pessoa para pessoa, de época para época de cada vida. Mas, assim como a morte, assim como a felicidade, a loucura e a sanidade estão sempre à espreita, nos acompanhando. Uma pode se sobressair mais do que a outra. Mas todas as possibilidades estão vivas em nós, até o último suspiro.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

VOCÊ ESTÁ DESPEDIDO!!!

EMPATIA.
Capacidade de colocar-se no lugar do outro, buscando compreender seus sentimentos, pensamentos, comportamentos.

Em um artigo interessante, Eugenio C. Mussak afirma: "Os livros nos informam que empatia é uma condição psicológica que permite a uma pessoa sentir o que sentiria caso estivesse na situação e circunstância experimentada por outra pessoa. E é isso mesmo. Ver o mundo com os olhos de nosso interlocutor."

A empatia é um elemento interessantíssimo, que faria enorme diferença caso fosse mais utilizado, bem empregado... O mundo seria, sem dúvidas, mais ameno, menos denso... mais colorido e suave.

Vejamos o que Stephen Kanitz nos fala a respeito da importância de nos colocarmos no lugar do outro:

"Você é diretor de uma indústria de geladeiras. O mercado vai de vento em popa e a diretoria decidiu duplicar o tamanho da fábrica. No meio da construção, os economistas americanos prevêem uma recessão, com grande alarde na imprensa. A diretoria da empresa, já com um fluxo de caixa apertado, decide, pelo sim, pelo não, economizar 20 milhões de dólares.
Sua missão é determinar onde e como realizar esse corte nas despesas.
Esse é o resumo de um dos muitos estudos de caso que tive para resolver no mestrado de administração, que me marcou e merece ser relatado o professor chamou um colega ao lado para começar a discussão. O primeiro tem sempre a obrigação de trazer à tona as questões mais relevantes, apontar as variáveis críticas, separar o joio do trigo e apresentar um início de solução. "Antes de mais nada, eu mandaria embora 620 funcionários não essenciais, economizando 12 200 000 dólares. Postergaria, por seis meses os gastos com propaganda, porque nossa marca é muito forte. Cancelaria nossos programas de treinamento por um ano, já que estaremos em compasso de espera. Finalmente, cortaria 95% de nossos projetos sociais, afinal nossa sobrevivência vem em primeiro lugar". É exatamente isso que as empresas brasileiras estão fazendo neste momento, muitas até premiadas por sua "responsabilidade social". Terminada a exposição, o professor se dirigiu ao meu colega e disse: -Levante-se e saia da sala.
-Desculpe, professor, eu não entendi - disse John, meio aflito.
-Eu disse para sair desta sala e nunca mais voltar. Eu disse: PARA FORA! Nunca mais ponha os pés aqui em Harvard.
Ficamos todos boquiabertos e com os cabelos em pé. Nem um suspiro. Meu colega começou a soluçar e, cabisbaixo, se preparou para deixar a sala. O silêncio era sepulcral.
Quando estava prestes a sair, o professor fez seu último comentário:
- Agora vocês sabem o que é ser despedido. Ser despedido sem mostrar nenhuma deficiência ou incompetência, mas simplesmente porque um bando de prima-donas em Washington meteu medo em todo mundo. Nunca mais na vida despeçam funcionários como primeira opção. Despedir gente é sempre a última alternativa.
Aquela aula foi uma lição e tanto. É fácil despedir 620 funcionários como se fossem simples linhas de uma planilha eletrônica, sem ter de olhar cara a cara para as pessoas demitidas. É fácil sair nos jornais prevendo o fim da economia ou aumentar as taxas de juros para 25% quando não é você quem tem de despedir milhares de funcionários nem pagar pelas conseqüências. Economistas, pelo jeito, nunca chegam a estudar casos como esse nos cursos de política monetária. Se você decidiu reduzir seus gastos familiares "só para se garantir", também estará despedindo pessoas e gerando uma recessão. Se todas as empresas e famílias cortarem seus gastos a cada previsão de crise, criaremos crises de fato, com mais desemprego e mais recessão. A solução para crises é reservas e poupança, poupança previamente acumulada. O correto é poupar e fazer reservas públicas e privadas, nos anos de vacas gordas para não ter de despedir pessoas nem reduzir gastos nos anos de vacas magras, conselho milenar. Poupar e fazer caixa no meio da crise é dar um tiro no pé.
Demitir funcionários contratados a dedo, talentos do presente e do futuro, é suicídio. Se todos constituíssem reservas, inclusive o governo, ninguém precisaria ficar apavorado, e manteríamos o padrão de vida, sem cortar despesas. Se a crise for maior que as reservas, aí não terá jeito, a não ser apertar o cinto, sem esquecer aquela memorável lição: na hora de reduzir custos, os seres humanos vêm em último lugar."

Stephen Kanitz
Artigo publicado na Revista Veja, edição 1726, ano 34, nº45, 14 de novembro de 2001.

sábado, 20 de junho de 2009

Amanhã é o meu NIVER!!! =)

Legenda: Em um dos meus primeiros aniversários!!! =) Sou a da direita, recebendo os parabéns da minha priminha linda!

Há!!! Deixei a modéstia de lado por hoje!!!

Resolvi compartilhar com vocês algo que valorizo muito: o dia do meu aniversário! =)
Calma, gente!!!! Não sou tão egocêntrica como pode estar parecendo! rs!!! =)
Adoro meu aniversário como adoro todos os aniversários das pessoas queridas!
Porque aniversário, pra mim, é como ano novo! kkkk!!! É, sabe como é!: ano novo é aquela época que todo mundo repensa tudo, revê os planos, planeja os sonhos, sonha sem compromisso com planejamentos... É uma época em que se pode tudo!!!: colocar como meta fazer aquele regime maravilhoso e ficar mais linda que a Sheyla Carvalho!; arranjar aquele emprego dos sonhos, custe o que custar!; ganhar na mega sena - e ir buscar o prêmio no mesmo dia, pra não perder nem um centavo de rendimento na poupança!!! rs!; encontrar/namorar/casar com o "príncipe" dos sonhos e ser feliz pra sempre!
Enfim! É aquela época que nos permitimos! Pedimos desculpas às pessoas, dizemos que amamos, desejamos coisas boas a todo mundo e ao mundo!!!
Aniversário é isso: como o ano novo, uma oportunidade de recomeço. Simbolizando nosso nascimento, a data é uma rememoração do dia em que o mundo passou a ser nossa casa, e as pessoas, nossos companheiros de caminhada...
Nesse dia, podemos comemorar com aqueles que amamos, chorar de rir sem receio, receber muito carinho das pessoas queridas, abraçar muuuuito, desejar "tudo em dobro" pras pessoas, quando elas vêm nos desejar um monte de coisas boas!...

Adoro aniversários!!!
Adoro meu aniversário!!! =)
E, por isso, resolvi compartilhar com vocês!
Amanhã é meu aniversário!!!
E quero os "parabéns", hein?!! risosss!!!! =)

E o aniversário de vocês, quando será???!!! =)

Um beijo grande!

Natalie S. Dowsley.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Contra o abuso sexual, CONHECIMENTO!

Fonte: Comunidade do Orkut: "Onde Estão Nossas Crianças?"

"O Cara da porta das escolas - Pedofilia Não

Vem cá que vou te dar um Banho de loja!
Este é um dos argumentos de pedófilos que cercam jovens meninas!
Aparece o cara de carrão, óculos escuros fazendo gênero, sai em busca de suas presas.
O cara não se intimida com nada, aborda mesmo.
E muitas delas se encantam com a lábia doentia, com as promessas de vida melhor e se perdem no presente pelos presentes.
O cara não tá nem aí, é um pedófilo e abusa sexualmente de menores.
Mas o cara não age sozinho, ele tem a cumplicidade do silêncio e da omissão de seus vizinhos, amigos, amigas,muitas vezes de pessoas de sua própria família e da população que só observa.
Acontece nas grandes cidades e acontece demais nas pequenas cidades.
Preste atenção no cara que está ao seu lado.
Observe-o bem. Pergunte aos seus conhecidos como é a atitude do seu cara.
Insista nas perguntas, seja constante.
Você poderá ter respostas nada agradáveis.
Poderá saber que famílias advertem suas filhas para se afastarem do cara.
Poderá saber com detalhes por algumas das meninas como era feita a abordagemPoderá saber que o cara, era conhecido como o Cara das Portas das escolas.
Poderá saber de abusos cometidos escondidos pelo silêncio familiar.
Poderá saber que prometia casamento para as jovens e as mantinha como amantes por anos.
O cara não tá nem aí, ele consegue o silêncio de um, de outra e assim vai na sua caça nefasta protegido pelo escudo silencioso.
Preste atenção no cara que está ao seu lado. Observe-o bem. Observe como se aproxima de crianças e jovens meninas.
Observe como ele as toca, como as coloca no colo, como as olha.
Observe a reação delas, se é de medo ou de satisfação.
Observe a reação dele, observe seus olhos.
Preste atenção Mulher no cara que está ao seu lado.
Observe-o bem.Você pode ter ao seu lado um pedófilo.
Você pode estar dormindo com homem que abusa de menores.
Preste atenção."

(Ana Maria Bruni)

sábado, 13 de junho de 2009

Rita Apoena

Compartilhando a beleza das palavras de Rita Apoena (Fonte: http://ritaapoena.zip.net/)



Querido Helano,

Hoje eu comprei sementes de girassol. Há isso de extraordinário no mundo. Quando alguém se sente só ou com saudade de outrém pode comprar sementes de girassol para vê-lo crescer. Pode até fazer uma sementeira de tulipas. Neste caso, é preciso aguar todos os dias, com a ponta dos dedos, deixando cair uma ou duas gotas, apenas. Já as coisas abrutalhadas, máquinas, tratores ou edifícios, deixo aos outros, cuidarem. Também elas precisam de carícias: não vê o homem pendurado nas vidraças com um pano molhado? Não vê a máquina acarinhando a outra com a lixa? Há muitas formas de cuidar. E, felizmente, o delicado e o bruto na esfera do mundo. Se me ocupo da semente é porque escuto o seu silêncio. O silêncio com que ela abraça, tão brandamente, o seu grãozinho de terra."

segunda-feira, 11 de maio de 2009

"As mensagens da água"

Aproximadamente 70% do nosso corpo é composto por água.
O que seríamos capazes de mudar em nós, em nossas vidas, se conseguíssemos "contaminar" todas essas moléculas de água que nos compõem com doses de "alegria", "amor", "paz"?
Sabemos que a água muda quando contaminada com sujeiras e vermes...
Mas, é possível contaminá-la com amor? E, se fosse possível, ela também se modificaria?

Os estudos de Masaru Emoto, divulgados no livro "Mensagens ocultas na água" e também no filme/livro "Quem somos nós?", afirmam que sim, podemos mudar a água a partir de sentimentos, palavras.

O trabalho do Dr. Emoto consistiu em expor moléculas de água a diversas influências, como músicas e palavras.
"Ele começou por expor os cristais de água à música - de Beethoven a rock pesado - e fotografar os resultados. Depois de a música ter claramente afetado o tamanho e forma dos cristais, ele passou a trabalhar com a consciência. Afinal, a música cria um objeto físico que pode afetar as ondas de matéria-som; mas, e os pensamentos?" (ARNTZ, 2007, p.93).
Dr. Emoto passou, então, a pôr, nas garrafas com água, rótulos que expressavam emoções e idéias, como: "amor", "muito obrigado", "Você me enoja, vou matá-lo"...
As garrafas, em contato com essas palavras, apresentaram grandes modificações na estrutura molecular das suas águas.
"A água com mensagens positivas formou belos cristais; a com mensagens negativas ficou feia e malformada." (ARNTZ, 2007, p.93).


Imagem de cristal de água da palavra "amor".


Imagem de cristal de água da frase "você me enoja, vou matá-lo".

Se somos, nossos corpos e nosso planeta, compostos basicamente de água, e meras palavras datilografadas e colocadas perto da água podem afetá-la a esse ponto, imagina o poder que nossos pensamentos e nossas palavras devem ter sobre nosso organismo, sobre a água de que somos feitos!...
Por tudo isso, o filme "Quem somos nós?" é tudo de bom! Quem não viu, vale à pena ver.

Natalie S. Dowsley.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

A lição do fogo

Apenas compartilhando uma mensagem bonita sobre a importância dos outros em nossas vidas, e da nossa vida para os outros.
Somos seres de RELAÇÃO.
Juntos, somos mais fortes e bonitos.

A Lição do Fogo
(autor desconhecido)

Um membro de um determinado grupo ao qual prestava serviços regularmente, sem nenhum aviso, deixou de participar de suas atividades.
Após algumas semanas, o líder daquele grupo decidiu visitá-lo. Era uma noite muito fria. O líder encontrou o homem em casa sozinho, sentado diante da lareira, onde ardia um fogo brilhante e acolhedor.
Adivinhando a razão da visita, o homem deu as boas-vindas ao líder, conduziu-o a uma grande cadeira perto da lareira e ficou quieto, esperando.
O líder acomodou-se confortavelmente no local indicado, mas não disse nada. No silêncio sério que se formara, apenas contemplava a dança das chamas em torno das achas de lenha, que ardiam.
Ao cabo de alguns minutos, o líder examinou as brasas que se formaram. Cuidadosamente selecionou uma delas, a mais incandescente de todas, empurrando-a para o lado. Voltou então a sentar-se, permanecendo silencioso e imóvel.
O anfitrião prestava atenção a tudo, fascinado e quieto. Aos poucos a chama da brasa solitária diminuía, até que houve um brilho momentâneo e seu fogo apagou-se de vez. Em pouco tempo o que antes era uma festa de calor e luz, agora não passava de um negro, frio e morto pedaço de carvão recoberto de uma espessa camada de fuligem acinzentada.
Nenhuma palavra tinha sido dita desde o protocolar cumprimento inicial entre os dois amigos. O líder, antes de se preparar para sair, manipulou novamente o carvão frio e inútil, colocando-o de volta no meio do fogo. Quase que imediatamente ele tornou a incandescer, alimentado pela luz e calor dos carvões ardentes em torno dele.
Quando o líder alcançou a porta para partir, seu anfitrião disse:
- Obrigado. Por sua visita e pelo belíssimo sermão. Estou voltando ao convívio do grupo. Deus te abençoe!A Lição do Fogo

Um membro de um determinado grupo ao qual prestava serviços regularmente, sem nenhum aviso, deixou de participar de suas atividades.
Após algumas semanas, o líder daquele grupo decidiu visitá-lo. Era uma noite muito fria. O líder encontrou o homem em casa sozinho, sentado diante da lareira, onde ardia um fogo brilhante e acolhedor.
Adivinhando a razão da visita, o homem deu as boas-vindas ao líder, conduziu-o a uma grande cadeira perto da lareira e ficou quieto, esperando.
O líder acomodou-se confortavelmente no local indicado, mas não disse nada. No silêncio sério que se formara, apenas contemplava a dança das chamas em torno das achas de lenha, que ardiam.
Ao cabo de alguns minutos, o líder examinou as brasas que se formaram. Cuidadosamente selecionou uma delas, a mais incandescente de todas, empurrando-a para o lado. Voltou então a sentar-se, permanecendo silencioso e imóvel.
O anfitrião prestava atenção a tudo, fascinado e quieto. Aos poucos a chama da brasa solitária diminuía, até que houve um brilho momentâneo e seu fogo apagou-se de vez. Em pouco tempo o que antes era uma festa de calor e luz, agora não passava de um negro, frio e morto pedaço de carvão recoberto de uma espessa camada de fuligem acinzentada.
Nenhuma palavra tinha sido dita desde o protocolar cumprimento inicial entre os dois amigos. O líder, antes de se preparar para sair, manipulou novamente o carvão frio e inútil, colocando-o de volta no meio do fogo. Quase que imediatamente ele tornou a incandescer, alimentado pela luz e calor dos carvões ardentes em torno dele.
Quando o líder alcançou a porta para partir, seu anfitrião disse:
- Obrigado. Por sua visita e pelo belíssimo sermão. Estou voltando ao convívio do grupo. Deus te abençoe!

sexta-feira, 1 de maio de 2009

O amor é a base para tudo o que há de bom...

"Por isso eu pergunto
A você no mundo
Se é mais inteligente
O livro ou a sabedoria

O mundo é uma escola
A vida é o circo
Amor palavra que liberta
Já dizia o Profeta."

(Marisa Monte - Gentileza)

A sabedoria está muito além das palavras, teorias, filosofias... tão além que parece desnecessário se apronfundar sobre isso...
Estudei muitos anos para ser psicóloga, mas foram nos momentos em que eu estava só, com meus clientes - dois deles, em especial... - que aprendi a maior de todas as lições: o principal elemento para que aquele nosso encontro desse certo não estava descrito nos principais livros nem nas aulas que assisti... O principal elemento já me habitava, mas eu não sabia que ele seria o meu melhor guia, meu mais forte guru.
Esse "ingrediente" é, simplesmente, o amor.

É ele que nos orienta em direção ao caminho certo, à estrada que nos levará ao verdadeiro encontro com o outro. Quando o amor não é nosso guia, apenas as teorias e "sabedorias", tendemos a nos afastar do outro... atrapalhamos nossa própria tarefa... nos perdemos um do outro.

Quando permitimos que o amor seja o guia, nosso poder de fazer o bem eclode, e ele nos mobiliza para frente, com a força da tendência atualizante que Rogers falava...
E quando pessoas se unem, envoltas pelo amor mútuo e sereno, cheio de verdade e bondade, brotam batatas, morangos, cerejas, flores...!!! Brotará qualquer coisa, o que se quiser! Porque a terra do amor é fértil, dela nasce tudo o que se desejar.
E um grupo, baseado no amor, que busca um apoio e cuidado de uns para com os outros, pode ser chamado de outra coisa que não seja terapêutico?

A esses grupos, alguns sem pretensões psicoterapêuticas mas cheios de poder terapêuticos, Rogers chamou de grupos de encontro. Esses grupos são baseados no respeito, na liberdade e no amor, e defendem, por exemplo:
- que não existe um líder "eterno": cada pessoa do grupo pode assumir o papel de "líder", desde que esteja sentindo vontade de fazer isso;
- não existem temas ou programações preestabelecidas; os assuntos são decididos na hora e pelo grupo;
- o "líder" não decide a programação do grupo nem escolhe o caminho; ele deve ser como os sherpas, que conduzem os viajantes pelas montanhas do Himalaia, mas os conduzem pelos caminhos que estes decidem seguir, e sempre no ritmo e necessidade do viajante...
O bom líder, o bom sherpa, não impõe suas vontades, ele observa as suas necessidades e as do grupo, buscando chegar a um consenso que leve a todos, juntos, até o mais alto possível das montanhas e da "iluminação" desejada;
- com o passar do tempo, o grupo aprende a valorizar a espontaneidade do conjunto, descobrindo/confiando mais no poder de superação de cada membro, assim como do grupo como um todo.

Os grupos de encontro não exigem um setting terapêutico estereotipadamente definido; podem acontecer na sala de casa, na mesa de um bar, no hall de um hotel, no corredor da escola...
O que caracteriza o grupo não é o local, mas sim o comprometimento de todos com o grupo e o respeito e cuidado coletivo.
Por isso que é lindo de ver quando um agrupamento de pessoas deixa de ser apenas isso... para se transformar num verdadeiro grupo, repleto de sabedoria e amor.

(Para Silvinha, que tem se mostrado uma verdadeira sherpa! =)

Natalie S. Dowsley.

p.s.: Carl Rogers foi um psicólogo que contribuiu bastante não apenas para a psicologia, mas também para a pedagogia. Quem se interessar, indico os livros:
ROGERS, Carl Ransom. Sobre o poder pessoal. São Paulo: Martins Fontes, 1978.
ROGERS, Carl Ransom. Tornar-se pessoa. Lisboa: Moraes Editores, 1970.
ROGERS, Carl Ransom. Um jeito de ser. São Paulo: EPU, 1983.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Existencialismo

Por que não devo ultrapassar o sinal vermelho, dirigir alcoolizado, fazer ultrapassagens perigosas e em alta velocidade???!!!

As respostas parecem óbvias pra você?! Pois saiba que, indiretamente, Jean-Paul Sartre falou sobre isso.
Não sobre o trânsito e suas leis; falou sobre a responsabilidade humana sobre seus atos.

No livro O Existencialismo é um Humanismo (SP: Nova Cultural, 1987), Sartre fala:
"(...) escolhendo-me, escolho o homem." (p.07)
Cabe ainda citar a célebre frase do filósofo:
"O que importa não é o que fazem do homem, mas o que ele faz do que fizeram dele."
Quando escolho ser o que sou, quando decido quais serão minhas atitudes frente ao mundo, estou, também, escolhendo não apenas o que sou, mas o que quero que os demais sejam.

Parece estranho pra você?
Mas, não é tanto assim... Pense comigo e com Sartre:
"(...) certamente muitos pensam que, ao agir, estão apenas engajando a si próprios e, quando se lhes pergunta: mas se todos fizessem o mesmo?, eles encolhem os ombros e respondem: nem todos fazem o mesmo. Porém, na verdade, devemos sempre perguntarmos: o que aconteceria se todo mundo fizesse como nós?(...)." (p.07)

É por isso que Sartre considera o homem um ser "(...) condenado a ser livre" (p.09).
Mesmo que não queira, o homem precisa fazer escolhas, tomar decisões, determinar seu caminho - até mesmo quando se isenta de escolhas, o homem está escolhendo...
Essa sua liberdade o caracteriza e impõe-lhe responsabilidades.
E mais: o que escolho pra mim está intimamente ligado ao que escolho para o outro.
Se desejo para mim uma vida livre de algemas, de preconceitos, de julgamentos, preciso, também, compreender que concomitantemente estou desejando o mesmo para os demais.

Claro que Sartre sabe que o meio, o contexto, as pessoas que nos cercam, influenciam nas nossas escolhas, nas nossas possibilidades; porém, ainda assim, temos a liberdade de escolher, de decidir, diante das limitações que, por ora, aprisionam.

Sócrates escolheu ser filósofo; depois, escolheu continuar divulgando suas idéias, mesmo ameaçado de morte; em seguida, escolheu aceitar sua condenação à morte, ao invés de tentar fugir ou pedir perdão e negar seus pensamentos - que iam de encontro às idéias que se pregavam então.
Ele podia ter tido uma vida bem diferente; em especial, uma morte bem diferente. Porém, fez estas escolhas e, assim, escolheu também o homem que desejava ver nos olhos da humanidade: pessoas que não se curvam diante de ameaças, quando sabem que não estão falando/pensando/fazendo nada de "mal", apenas o que pensam, o que acreditam.
Sócrates impôs sua liberdade, mesmo quando estava preso e ingeriu cicuta.

Sartre nos revela, nessa obra, o poder que existe em minhas escolhas, desde as "pequenas" - dirigir em alta velocidade? - até as maiores - matar?
Escolho para mim aquilo que escolho para o outro. E isso é responsabilidade minha, sua; e é uma grande responsabilidade!

"Vimos, portanto, que ele - o existencialismo - não pode ser considerado como uma filosofia do quietismo, já que define o homem pela ação; nem como uma descrição pessimista do homem: não existe doutrina mais otimista, visto que o destino do homem está em suas próprias mãos; nem como uma tentativa para desecorajar o homem de agir: o existencialismo diz-lhe que a única esperança está em sua ação e que só o ato permite ao homem viver." (p.15)

Natalie S. Dowsley

terça-feira, 21 de abril de 2009

Saltando além

Estou tentando arrancar meus olhos das órbitas,
tirá-los do tédio e da mesmice que os acomoda
em suas cavidades ocas e, ao mesmo tempo,
tão cheias de mundos e cores saborosas.

Quero pô-los em contato com a vida,
em cima de uma montanha-russa
de emoções, de descobertas.
Eles em meu rosto não enxergam o necessário...

Voando, soltos, meus olhos vão me levar ao caminho
e, assim, dar mais sentido
às coisas que têm vivido sem sentido
em mim.

Natalie S. Dowsley.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Por que não te convidarei

E eu te segui.
Sem perguntas, sem palavras.
Caminhei em tuas pedras
ferindo meus pés pelos teus.
Sonhei.

Egoísta.
Só te segui porque
queria algo em ti que desconhecia:
um mistério, um sabor

diferente, especial.

Queríamos, juntos, algo sem sentido.
Uma paixão escondida por trás do nome "amor"...
Eu nunca te amei.
Quis-te meu. Nada mais do que isso.
Como se fosse pouco...

O suficiente para derrubar muralhas,
arrancar as grades,
perfurar meu peito,
causar-me
caos.

Sem tua presença em mim,
pelo menos por hoje,
tenho a paz que preciso para
seguir.
E amar.


Natalie S. Dowsley

sexta-feira, 6 de março de 2009

Alerta AMBER

Precisamos nos MOBILIZAR!!!

Todos os dias, muitas crianças são raptadas, jovens desaparecem e, no Brasil, não temos uma política eficaz para lidar com esses casos.

Sites de desaparecidos estão desatualizados; há graves falhas na comunicação entre os orgãos da polícia (municipal, estadual, federal, internacional); as medidas tomadas, desde a denúncia do sumiço, são ineficazes, de pouca repercussão, e postas em prática tardiamente.

Por iniciativa dos grupos:
Comunidade Diga Não A Pedofilia
Comunidade Onde Estão Nossas Crianças?
Blog Diga Não A Erotização Infantil
http://diganaoaerotizacaoinfantil.wordpress.com/2008/01/11/movimento-pela-criacao-do-alerta-amber-no-brasil/
está sendo divulgado o MOVIMENTO PELA CRIAÇÃO DO ALERTA AMBER NO BRASIL.
Esse alerta, existente nos Estados Unidos, une uma série de práticas, mas rápidas e eficientes, diante de denúncias de desaparecimento de crianças e adolescentes - até os 17 anos -, com o intuito de facilitar a localização dessas pessoas o mais breve possível, visto que, à medida que as horas passam, menor a chance de localizar os desaparecidos com vida.
Para saber mais sobre o projeto, visitem a comunidade:
http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=23796753

Nossa participação: no blog Diga Não À Erotização Infantil encontramos links que nos põem em contato com deputados e senadores. O objetivo é que expressemos nosso apoio ao projeto ALERTA AMBER.

Precisamos, urgente, criar novas formas de atuação diante de tantas violências cometidas contra crianças e adolescentes.

Natalie S. Dowsley

Ninguém merece!!!

Sou pernambucana, recifense, e assisti, com horror, os últimos acontecimentos relacionados à menina de 9 anos, estuprada há muito tempo pelo padrasto, e que acabou por engravidar...
A matéria completa pode ser vista em:
Já não bastasse a dor da menina, da sua irmã - também violentada pelo padrasto -, o arcebispo de Olinda e Recife, Dom José Cardoso Sobrinho, resolveu falar, sem ser solicitado, manifestando-se contra o aborto - sem levar em conta que a menina, de 33kg, certamente sofreria bastante ou morreria ao longo da gestação de gêmeos - e "excomungando" todos os envolvidos no aborto.
Há!!! Ninguém merece!!!
Quem pediu a opinião dele??? Quem, quem, quem???!!!
Pra uma família do interior, vivendo uma dor sem tamanho, não deve ser nada fácil decidir pelo aborto, ainda mais diante de tamanha apelação.
Ainda bem que a mãe da garota não se intimidou e autorizou o aborto.
O mundo todo, agora, encara o bispo é questiona: as pessoas que realizam o aborto em uma criança estuprada são excomungados... mas os padres pedófilos, perdoados pela igreja, não???!!!
Há! Me poupe, seu bispo!!! Não tem mais o que fazer, não?
Violência contra crianças e adolescentes é algo absurdo, nojento, incompreensível...
Sendo doença, ou não, trauma de infância, ou não, o abusador tem sempre a ESCOLHA: estupro ou procuro ajuda? Canalizo esse meu "desejo" pra outra coisa ou destruo a vida de uma criança?
Se escolhe errado, TEM QUE SER PRESO!!! Imediata e longamente!!!
E bispo que abrisse a boca pra dizer bobagem devia ser EXCOMUNGADO, sem direito a perdão!

Natalie S. Dowsley.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Ensaio sobre a lucidez (continuando a reflexão)

(O pior cego é aquele que não quer ver)

Pra quem leu ou assistiu o filme "Ensaio sobre a cegueira" e quer saber o aconteceu depois, nesta cidade sem nome, indico o livro
"Ensaio sobre a lucidez".

"Uma manhã as ruas da capital apareceram invadidas por gente que levava ao peito autocolantes com, vermelho sobre negro, as palavras, Eu votei em branco, das janelas pendiam grandes cartazes que declaravam, negro sobre vermelho, Nós votamos em branco, mas o mais arrebatador, o que se agitava e avançava sobre as cabeças dos manifestantes, era um rio interminável de bandeiras brancas que levaria um correspondente despistado a correr ao telefone para informar o seu jornal de que a cidade se havia rendido."
(SARAMAGO, 2004, p. 74).

Quando a cegueira branca assolou o país, os "loucos" foram confinados em um manicômio, passando a enxergar, com intensa e dura clareza, as "verdades" humanas, todos os seus atos mais primários, todas as suas fraquezas, maldades, bondades e superações. Enxergar, com tamanha amplitude, levou à cegueira da mulher do médico - cansada de ver a realidade...
Fez, também, com que algumas pessoas - da capital - enxergassem melhor a vida, o mundo, seu país, sua cidade... talvez por isto, tantos - 83%!!! - resolveram votar em BRANCO: a cor da "loucura" mais sábia já conhecida...

Natalie S. Dowsley.

1º texto sobre o livro:
2º texto:

Psicoterapia

Muitas pessoas precisam de psicoterapia. Mas, então, porque não procuram os psicólogos?
Não sou inocente - não a esse ponto! - de culpabilizar apenas a sociedade - porque é preconceituosa -, o capitalismo - porque é cruel e injusto, criando necessidades e prioridades que se posicionam, muitas vezes, acima até da própria saúde emocional do sujeito - ou a nossa cultura - onde reinam o machismo e a hipocrisia.
Não, a "culpa" nunca é unilateral.
É fato que, diante de tantos apelos consumistas, muitas pessoas preferem comprar novas roupas todo mês, a pagar 4 sessões psicoterapêuticas. É fato, também, que a cultura impregnada de um machismo infeliz, dificulta o acesso de homens aos locais de saúde, especialmente os destinados à saúde mental/emocional.

Contudo...

O problema também reside na Psicologia.
Muita coisa pede reformulação, novos conceitos...
Os valores cobrados precisam ser repensados; os profissinais precisam ser mais abertos para negociação, sem perder a noção de que estão trabalhando e, por isso, merecem ser pagos...
Os orgãos representantes da profissão precisam se empenhar mais em "apresentar" a psicologia à sociedade, inclusive a profissionais de saúde de outras formações, como médicos, fisioterapeutas, nutricionistas, etc. Porque não existem congressos apenas de saúde, e não segregações: "V congresso norte-nordeste de psicologia"; "X congresso brasileiro de geriatria"; "IX encontro nacional de educadores-físicos" ?...
Se todos os profissionais soubessem da importância da psicologia, certamente a população seria/estaria mais esclarescida e, consequentemente, a procura pelo serviço seria maior.

Mas, pra mim, há algo essencial a ser pensado.
A prática profissional dos psicólogos. Aliás!, deles apenas, não! De vários profissionais de saúde, que lidam com o humano em sua fragilidade, em um momento de vida onde precisa não só de atendimento e "cura", mas de HUMANIDADE.
O que precisamos, hoje, é de pessoas, de gente! Precisamos chegar nos hospitais e nos deparar com recepcionistas, enfermeiras, assistentes sociais, médicos, maqueiros... todos dispostos a nos ajudar, a nos acolher, a cuidar!
Porque a função profissional do maqueiro, por exemplo, pode ser descrita na carteira de trabalho "apenas" como: "carregar pacientes, em macas, para os locais adequados de atendimento médico"... mas, na prática, quem já teve um parente sendo carregado por um maqueiro sabe que muitas outras coisas deveriam estar incluídas na obrigação profissional: "simpatia, presteza, compreensão, delicadeza, gentileza, paciência com os familiares, disponibilidade e cordialidade". Enfim, HUMANIDADE!
É aquela velha historinha: se fosse minha mãe naquela maca, eu carregaria com cuidado, trataria-a bem durante o percurso, conversaria e acalmaria a família dela... ou faria apenas o "meu trabalho"...?
Sabe o nome disso? EMPATIA. A sabedoria de se colocar no lugar do outro, imaginando como eu gostaria que fosse comigo, com minha família, e fazendo o mesmo com os outros... fazendo somente o melhor que eu puder fazer.
Empatia é humanidade?! SÓ É!!!

Precisamos, todos, escolher nossos profissionais não apenas pelo diploma de mestrado, doutorado... o mais importante, o que faz a diferença, é a humanidade, o cuidado com o cliente/paciente, o amor ao outro, o querer-bem. Isso é que cativa a pessoa que busca ajuda... e isso faz toda a diferença na recuperação plena do ser-humano, pois somos seres de relação, somos seres de contato...

E tudo isso surgiu, como sempre, de uma série de vivências: no hospital, pela cirurgia que fiz recentemente, onde quase todas as enfermeiras e os enfermeiros, os maqueiros, os médicos, os fisioterapeutas... quase todos foram muito atenciosos! De uma HUMANIDADE de primeira qualidade! E isso fez toda a diferença na minha estadia por lá!
Surgiu, também, da frase de Yalom, que reli hoje, por acaso, quando ele fala sobre o encontro entre cliente e terapeuta:

"Esse encontro, o verdadeiro âmago da psicoterapia, é um encontro afetuoso, profundamente humano entre duas pessoas, uma delas (geralmente, mas nem sempre, o paciente) mais perturbada do que a outra." (O Carrasco do Amor, 2007, p.21).

Pois é...
Em minha prática profissional procuro aprimorar minha humanidade... mas sei que muitos profissionais não agem assim... Defendem: "o profissional tem que ser direto, impessoal, competente sem perder a postura..."
Fico pensando, cá com os meus botões: eu não saberia conversar com uma pessoa assim!... Preciso de GENTE! Gosto de falar com humanos (antes da profissão, somos "gente"!), não com "profissionais" apenas...

Em favor da psicologia!: existem bons psicólogos, que olham nos olhos e respondem perguntas com delicadeza... e nem todos cobram "os olhos da cara"... e mais!
PSICÓLOGO NÃO É PRA DOIDO! rs!

Natalie S. Dowsley.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

O Amor!

Foto: "O chão aparou" - Rita Apoena
(Jornal das Pequenas Coisas)

amor, então,
também, acaba?
não, que eu saiba.
o que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
ou em rima.
(Paulo Leminski)

Fonte: Blog Abre-te Sésamo

A quem possa interessar... =)

Farei uma cirurgia, dia 18/02, e estarei ausente por uns dias... ausente mas FELIZ! ;)

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

A educação

Se você é gordinho, seu nome vira "elefante";
se você é magrinha, torna-se "Olívia Palito";
se é tímido, apanha dos colegas;
se é estudioso, é o "CDF"...

Na escola, começamos a descobrir que somos muito mais do que os nossos pais nos dizem,
muito mais do que nossa família nos ensina ser:
na escola, passamos a assumir papéis, mesmo que involuntariamente,
que nos exigem "máscaras" diferenciadas, e que podem nos causar muita dor...
Não somos mais apenas a prima legal, o filho teimoso, o sobrinho carinhoso...
Passamos a ser um monte de outras coisas, que dependem muito dos outros colegas com quem convivemos diariamente.

A educação inicial, da família, obviamente é essencial! É ela quem fortalece ou enfraquece, ensina ou desestimula, encanta ou assusta, as crianças diante do mundo e todos os seus estímulos.
Contudo, a escola tem um lugar crucial na formação do ser humano, especialmente no contexto atual e ocidental.

Por isso, as escolas, hoje, precisam repensar suas atuações. O mundo mudou: os prazeres são outros, os perigos são outros... e a escola parece "perdida" diante da demanda contemporânea.
Bullying, Anorexia, Bulimia, Obesidade, Abuso sexual, Tráfico de crianças, Assédio via internet...
Tantos "temas" novos, inusitados, e tão pouco - ou nada! - abordados pelas escolas...

Foi-se o tempo em que o grande tema, difícil e cheio de tabu, a ser tratado com os alunos - só os adolescentes! - era a sexualidade, o uso da camisinha... Foi-se o tempo!

Hoje, sabe-se que a sexualidade, por exemplo, deve ser um tema constante na vida escolar das crianças e adolescentes, desde bem cedo, já que vivenciamos nossa sexualidade desde poucos meses de vida - os prazeres do nosso corpo são descobertos desde cedo, de formas variadas, e tudo isso faz parte da vivência da sexualidade... .

As escolas precisam, então, fazer uma reforma sobre suas propostas de intervenção, compreendendo todas essas novas demandas.
Os educadores precisam se aprimorar, também, e tomar conhecimento sobre os atos que caracterizam o Bullying e qual a postura adequada a ser adotada; quais os "sinais" que uma criança pode emitir quando abusada sexualmente; quais os comportamentos que revelam um possível transtorno alimentar, etc.

As escolas, professores, pais, precisam comungar desta necessidade de atualização; precisam se unir em busca de uma educação mais profunda e verdadeira, que realmente fortaleça as crianças através da conscientização e humanização, permitindo que o mundo, a partir das vivências escolares, seja compreendido como um lugar que possui seus encantos e perigos, e que pode ser experimentado com responsabilidade e segurança. Crianças bem informadas, educadas, tornam-se mais fortes diante dos problemas do mundo, e, sem dúvidas, cidadãos mais conscientes de seus papéis.

Natalie S. Dowsley.

p.s.: Sempre que um caso de violência contra crianças surge na mídia, sinto necessidade de retomar o assunto por aqui... Acho que ainda existem muitas brechas na nossa educação, que facilitam o acontecimento de agressões contra crianças e, principalmente, a manutenção de um silêncio doloroso, por parte da vítima... Precisamos, URGENTE, atualizar nossa educação!

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Lya Luft

Para minha amiga linda, Po-Poli!, que me mandou esse texto no dia da luta antimanicomial (18/05, na ocasião, de 2005), pedindo que o guardasse para a nossa formatura! =)
(Poli, me esqueci de usá-lo em nossa formatura! rs!)

"A vida é recriar-se, pois ela não está aí apenas para ser suportada nem vivida, mas elaborada. Eventualmente reprogramada, conscientemente reprogramada, conscientemente executada, muitas vezes 'ousada'.

E que o mínimo que a gente faça, seja a cada momento, o melhor que afinal se conseguiu fazer (com muito valor e não de cabeça baixa e simplório demais)."

(Lya Luft)

Bochenski

Encontrei umas páginas guardadas, com textos interessantes, que não via há tempos...
Coloquei aqui pra não perdê-los mais de vista. =)

"Quem julga que conhecemos tudo e que o conhecemos perfeitamente e que somos capazes de comunicar tudo o que conhecemos, comete um exagero não menor e não menos falso que a dos céticos.
A verdade é que nas questões filosóficas nada é simples. Toda solução simples é uma solução falsa. (...)
A realidade é terrivelmente complexa, e a verdade sobre ela também deve ser terrivelmente complexa. Só por um trabalho longo e árduo pode o homem apropriar-se de uma parte dela, não muito, mas sempre alguma coisa."

(J.M. Bochenski)

sábado, 31 de janeiro de 2009

Mário de Andrade

"As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos. Quero essência, minha alma tem pressa... Quero viver ao lado de gente que sabe rir dos seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, defende a dignidade e deseja tão somente andar em paz e amor no coração. Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes nunca será perda de tempo."

Mário de Andrade

A águia

As mudanças assustam, mesmo aquelas que sempre sonhamos, desejamos...
Mudar é ter que abdicar de um modelo já conhecido, de atitudes já tomadas como parte de nós...
Mudar é ter que abandonar antigos costumes e descobrir novos caminhos e formas de caminhar...
Por isso, o medo, a angústia, a ansiedade.
Estou vivendo isso... mas com uma FELICIDADE sem tamanho!!!
Não vejo a hora da mudança chegar e me possibilitar mudar de verdade, me trazendo novos ares, novos passos, sentimentos novos, um corpo novo!
Quero renascer, como as águias... com as dores e as alegrias da minha transformação!!!

"A águia é a ave que possui a maior longevidade da espécie, chega a viver cerca de setenta anos. Porém, para chegar a essa idade, aos quarentas anos, ela precisa tomar uma séria e difícil decisão. Aos quarenta anos, suas unhas estão compridas e flexíveis e já não conseguem mais agarrar as presas das quais se alimenta. O bico, alongado e pontiagudo, se curva, apontando contra o peito. Estão as asas, envelhecidas e pesadas, em função da grossura das penas, e, voar aos quarenta anos, já é bem difícil!
Nessa situação, a águia só tem duas alternativas: deixar-se morrer... ou enfrentar um dolorido processo de RENOVAÇÃO, que irá durar cento e cinqüenta dias. Esse processo consiste em voar para o alto de uma montanha e lá se recolher, em um ninho que esteja próximo a um paredão. Um lugar de onde, para retornar, ela necessite dar um vôo firme e pleno. Ao encontrar esse lugar, a águia começa a bater o bico contra a parede até conseguir arrancá-lo, enfrentando corajosamente a dor que essa atitude acarreta.
Espera nascer um novo bico, com o qual irá arrancar suas velhas unhas, com as novas unhas, ela passa a arrancar as velhas penas. E só após cinco meses, “renascida”, sai para o famoso vôo de renovação, para viver, então, por mais trinta anos.
Muitas vezes, em nossas vidas, temos que nos resguardar, por algum tempo, e começar um processo de renovação. Devemos nos desprender das (más) lembranças, (maus) costumes, e outras situações que nos causam dissabores, para que continuemos a voar.
Um vôo de vitória, somente quando livres do peso do passado (pesado), poderemos aproveitar o resultado valioso que uma renovação sempre traz. Destrua, pois, o bico do ressentimento, arranque as unhas do medo, retire as penas das suas asas dos maus pensamentos e alce um lindo vôo para uma nova vida.
Um vôo de vida nova e feliz!"

(autor desconhecido)

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Revelação

"Eu existi, eu sou, eu pensei, eu senti, e eu queria que você soubesse."

(Rachel de Queiroz)

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Sobre a VIDA!!!

Somos seres estranhos...
Geralmente, sofremos em estar próximos de pessoas que sofrem... o sofrimento alheio nos lembra a posiibilidade de nossos sofrimentos.
Quando alguém próximo adoece, doença grave e inesperada, nos assustamos. Não apenas pela doença do outro, por preocupação com sua vida... mas, também, por temermos nosso adoecimento, por nos preocuparmos com nossa vida. Não falo de doenças "contagiosas"; falo da contagiosidade que é a realidade da morte.
Estando doente, nos aproximamos do contato direto com a morte. Enxergamos, por mais difícil que seja, que a morte não é uma figura externa, personificada.
"Afinal, se a morte for uma entidade perseguidora, ainda poderemos encontrar uma forma de enganá-la; além disso, por mais assustador que um monstro que carrega a morte possa ser, ele é menos aterrorizante do que a verdade: a de que carregamos dentro de nós as sementes de nossa própria morte." (YALOM, 2007, p.13).
O contato com o adoecimento do outro nos remete à possibilidade do nosso adoecimento e do nosso "encontro" com a morte. Quando a doença é nossa, em geral, rápido ou mais lentamente, nos damos conta de que não conseguimos fugir da morte porque ela está em nós, e paramos de nos esquivar dela e de colocá-la como centro da situação: a vida assume um lugar de importância muitas vezes nunca vivido.
"Eu tentei ajudá-la a compreender que, embora a realidade da morte nos destrua, a idéia da morte pode nos salvar. Em outras palavras, nossa consciência da morte pode lançar uma perspectiva diferente sobre a vida e nos incitar a reorganizar nossas prioridades." (YALOM, 2007, p.122).
Essa compreensão sobre a vida, cheia de importância, em geral atinge aqueles que se encontram diretamente com sua morte. Saliento que, em minha opinião, esse contato não acontece apenas quando "quase morremos" por causa de doenças ou acidentes; muitas vezes deixa-se de viver por longos anos, devido a "doenças crônicas", como timidez excessiva, obesidade, etc, e, quando consegue-se superar isso, a vida recebe um novo significado: ela é curta demais pra perder mais tempo...

Mas, em geral, entramos em contato com a morte através de outras pessoas. Nesses casos, tendemos, em geral, a nos afastar: a morte do outro, ou sua possibilidade "iminente", - todos nós não vivemos potencialmente e iminentemente prontos para a morte? - nos fazem temer nossa morte, nosso adoecimento, a perda das nossas vidas.
Penso que é por isso que, muitas vezes, pacientes terminais vivem isolados: seus amigos e familiares se afastam, talvez inconscientemente, por medo da própria morte, medo do contato com essa verdade da qual fugimos todos os dias, adiando atividades para "amanhã": abraços, palavras de carinho, verdades duras, beijos desejados...
Os pacientes psiquiátricos também vivem isolados, especialmente aqueles internados. A realidade da "loucura" é ameaçadora para a maioria: revela nossa iminente possibilidade de adoecer também, de perder o "controle" sobre nossas vidas - temos esse controle?

"Se eu gritasse ninguém poderia fazer mais nada por mim; enquanto, se eu nunca revelar a minha carência, ninguém se assustará comigo e me ajudarão sem saber; mas só enquanto eu não assustar ninguém por ter saído dos regulamentos." (LISPECTOR, 1998, p. 63).
Adoecer é ter que assumir, involuntariamente, a nossa fragilidade eterna. E parece que assumir-se frágil é ameaçador; ser frágil é um passo para dizer-se MORTAL, e essa é uma palavra quase proibida em nossa cultura ocidental.
Em culturas orientais, a morte é falada com mais naturalidade e constância, desde tenra idade, levando a um contato mais tranqüilo e sincero com nossa fragilidade humana... embora a forma como alguns países orientais encaram o adoecimento humano também possa ser criticado...
O fato é que nós tendemos a nos afastar da morte, ao menos imaginativamente. Evitamos pensar nela, tocar nela, vê-la. E, consequentemente, evitamos a VIDA. Evitamos pensar em nossa finitude, e evitamos tocar a vida, na vida, com toda a nossa possibilidade, com toda a nossa humanidade.

"Se eu der o grito de alarme de estar viva, em mudez e dureza me arrastarão pois arrastam todos os que saem para fora do mundo possível, o ser excepcional é arrastado, o ser gritante." (LISPECTOR, 1998, p.63).
Os que não conseguem mais evitar o toque mão-a-mão com a morte, vivem com mais intensidade, com uma pureza indescritível... muitas vezes com uma dor inigualável, pois são afastados do convívio geral, são incompreendidos... Vêem o mundo por uma ótica "diferente" demais...

Precisamos superar nossas limitações, todos os dias; precisamos nos aprimorar, sempre.
Temo a morte, como a maioria; mas não quero me afastar dela: quero viver lado a lado com ela, quero lê-la nos livros, tocá-la na vida dos que a conhecem, quero senti-la comigo, e viver com muito mais sabedoria e intensidade do que antes.
Quero me metamorfosear. Quero ver as coisas como são. Convido você a pensar sobre isso... e, quem sabe, também encarar o medo da morte, sentir a morte em si, e descobrir o sentido da vida: vivê-la hoje, com a liberdade e responsabilidade devidas.

"É uma metamorfose em que perco tudo o que eu tinha, e o que eu tinha era eu - só tenho o que sou." (p.67)
"O que temia eu? ficar imunda de quê? Ficar imunda de alegria." ( LISPECTOR, p.73).

Natalie S. Dowsley.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Libertando-me do casulo

Estou feliz. Ansiosa
Por, depois de me espremer em um casulo
Sufocante, apertado,
Pequeno pro meu coração,
Estar começando a sair... a voar.

Quero começar voando lento,
Batendo as asas ao meu tempo,
Sem pressa e sem medo,
Sem dor e sem lamentos.
Quero viver a vida, com vida,
E ser feliz a cada momento.

Quero fazer tudo o que sempre quis
E fazer agora, hoje,
Sem planos futuros
Que adiam a vida, antecipam a morte...
Preciso fazer no presente
O que há para ser feito,
E não adiar, não pestanejar, não me destruir pelo não-vivido...

Sorrirei, cada dia, pelo dia que vivo,
Fazendo o que é preciso,
O que é pedido pelo meu coração
Em desejos latentes.
Tatuarei na pele
A borboleta que me tornei
E voarei intensamente, com o coração de hoje,
Mas um sorriso muito mais leve que o de ontem.

Você verá a mudança
E será feliz comigo
Porque me ama, me quer bem.
As frustrações de tantos anos,
Que carrego, arduamente, em meu corpo inteiro,
Serão passado, terão passado,
E serei, junto com você, mais plenamente feliz.

Minha gargalhada, alta e indiscreta,
Será mais honesta,
Real;
Minhas lágrimas cairão, ainda,
Muitas vezes,
Mas muito mais de tanto rir,
Muito mais de tanto amar.

Reencontramo-nos em breve
Eu e minha vida,
Prontas para recomeçar
E viver os longos dias
Não vividos na longa vida
De até então.

Natalie S. Dowsley.
(Saindo do casulo dia 18/02/09! Rezem por mim!=)

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Reflection

ReflectionChristina Aguilera

Look at me
You may think you see
Who i really am
But you'll never know me

Everyday
It's as if i play a part
Now i see if i wear a mask
I can fool the world
But i cannot fool my heart

Who, is that girl i see
Starring straight
Back at me
When will my reflection show
Who i am, inside

I am now
In a world where i have to hide my heart
And what i believe in
But some how
I will show the world, what's inside my heart
And be loved for who i am

There's a heart that must be free
To fly
That burns
With the need to know
The reason why

Why must we all conseal
What we think
How we feel
Must there be a secret me
I'm forced to hide

I won't pretend that i'm
Someone else for all time
When will my reflection show
Who i am inside
When will my reflection show
Who i am, inside.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Pra não dizer que não falei... dos espinhos...

A resposta

Torturo-me há horas
em busca de respostas que me fogem.
Procuro fora e dentro,
dentro e fora;
inverto ordens buscando
finalmente o fim.

Não encontro nada
que não seja alívio instantâneo
e temporário.
Os minutos dançam sobre mim
e meu corpo não aguenta mais.

Telefono e desligo,
te questiono, absurdo!
A resposta está em mim...
Onde?!! Onde?!!
Não sei...
Mas está.

Fui ali, acolá,
fucei, investigei,
refleti, chorei.
Não sei mais pra onde olhar.
Já me abandonei.
A tristeza é que ficou. E não sai.

Será que já começo a me deteriorar?
Tão cedo, tão jovem?
Será que sou fraca,
será que sou forte?
Você sabe? Me conta...

Amanhã será há poucos minutos
E eu deposito nele minha fé.
Quero acreditar que adormecerei
Sonharei,
Receberei de mim, em transe,
a resposta que em dia
não alcancei.

Assim esperarei.

Natalie S. Dowsley.