sábado, 13 de dezembro de 2008

O copo d'água

" O COPO D'ÁGUA

O velho Mestre pediu a um jovem triste
que colocasseuma mão cheia de sal em um copo d'água e bebesse.
- "Qual é o gosto?" perguntou o Mestre.
- "Ruim " disse o aprendiz.
O Mestre sorriu e pediu ao jovem que pegasse
outra mão cheia de sal e levasse a um lago.
Os dois caminharam em silêncio e o jovem jogou o sal no lago,
então o velho disse:
- "Beba um pouco dessa água".
Enquanto a água escorria do queixo do jovem, o Mestre perguntou:
- "Qual é o gosto?"
- "Bom!" disse o rapaz.
- Você sente gosto do "sal" perguntou o Mestre?
- "Não" disse o jovem.
O Mestre então sentou ao lado do jovem, pegou sua mão e disse:
"- A dor na vida de uma pessoa não muda.
Mas o sabor da dor depende do lugar onde a colocamos.
Então quando você sentir dor, a única coisa que você deve fazer
é aumentar o sentido das coisas.
Deixe de ser um copo.
Torne-se um lago..."

(autor desconhecido)

Obrigada, Daviane,
por compartilhar sempre mensagens tão bonitas como esta!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Oferto-te meu dedo, ó verde!

Acontece com algumas pessoas:
um belo dia, comum
como outro dia qualquer,
uma parte de si sinaliza
que é vivo e tem vida
disponível pra ofertar ao mundo.

O sinal pode surgir
durante um sonho, indecifrável;
durante uma caminhada, cansaço;
ou diante de um dedo verde...
espanto!

O verde, esperançoso,
avisa que chegou para ficar:
já é sinal de maturação,
e não haverá mudanças de tonalidade.
O maduro será, como é, verde.

E a pessoa, amedrontada,
aponta o verde do dedo
pra a alma funda,
pergunta:
"Que faço contigo,
meu dedo em feitiço?"

O dedo silencia ao coração.
O corpo se conduz pelo ser,
paixão,
e ambos são guiados pela magia,
em direção àonde o vento levar...

O menino aponta a fé
em minha direção.
Silêncio.
Flores brotam do meu estômago,
absurdo!
E eu sorrio como nunca:
cócegas!

Todos vêem e alegram-se também,
e o dedo verde se levanta, confiante,
e dispara gases lacrimogêneos...
força que nos faz chorar
de tanto sorrir.

O dedo verde embeleza minha alma,
o hospital, o presídio,
o bem, o mal.
O dedo verde ensina mais do que pretende,
e cura mais do que imagina.

E o menino, outrora rico,
ganha da vida o dedo-esperança
e oferece ao mundo toda a sua maior riqueza,
tornando-se uma pessoa ainda mais rica, afinal.

 Natalie S. Dowsley
(Sobre o livro "O menino do dedo verde", de Maurice Druon)


“– Mamãe, vi um filhote de furacão,
mas tão filhotinho ainda,
tão pequeno ainda,
que só fazia era rodar
bem de leve
umas três folhinhas na esquina...”

(Clarice Lispector)

("Roubei" do blog "Verdando"!
Presente lindo, de Eline Barreto!
Obrigada pelo carinho!!!

Ariadne

Ariadne sabia
Do caminho tortuoso
Que por ele esperava:
Mesmo assim,
Ariadne o esperou.

Ela sabia que a estrada,
Longa e atormentada,
Que Teseu experimentava,
Poderia machucá-lo...
E, talvez, até nem devolvê-lo, inteiro.

À porta da caverna escura,
Com as mãos em oração e reserva,
Segurando o fio invisível
Que garantia a sobrevivência dele,
Ariadne contava as lágrimas da morte iminente.

Teseu arriscara tudo
Quando resolveu mergulhar
Naquele mundo desconhecido,
Habitado por monstros muito maiores
Que Minotauros...

Contudo, arriscar-se era necessário.
Ele precisava descobrir o que havia
Ali dentro
Que tanto amedrontava homens...
Ali dentro... deles mesmos.

Afundou, adentrou naquele caos.
Encontrou-se com seus mortos.
Sepultou as fantasias sobre os monstros da caverna.
Recobrou sua sanidade.
Retornou, plenamente.

Não deixou muita coisa.
Mas levou tantas outras!
Limpou o que era preciso,
Abandonou o que não tinha sentido...
E voltou, unido ao frágil fio da vida.

Ariadne, ser de força e determinação,
O esperava, escondendo a face de dor,
Pondo a máscara da certeza de que tudo daria certo.
Ela sabia que era preciso.
E, precisamente, seguiram, mãos dadas, rumo à vida.


Natalie S. Dowsley

domingo, 7 de dezembro de 2008

O Mundo é Bão Sebastião
(Nando Reis)

"Por que o Sol saiu
Por que o seu dente caiu
Por que essa flor se abriu
Por que iremos viajar no verão
Por que aqui o mundo não será cão

O mundo é bão, Sebastião
O mundo é bão, Sebastião
O mundo é bão, Sebastião
O mundo é teu, Sebastião

Quando o Goodzila atacar
Quando essa febre baixar
Quando o mamute voltar
Descongelado a caminhar na Sibéria
Quando invento, o mundo é feito de idéias

O mundo é bão, Sebastião
O mundo é bão, Sebastião
O mundo é bão, Sebastião
O mundo é teu, Sebastião

Como escrever certo o seu nome
Como comer se der fome
Como sonhar pra quem dorme
E deixa o cansaço acalmar lá em casa

Como soltar o mundo inteiro com asas
Tiranossauro Rex tião
Dentro dos seus olhos virão
Monstros imaginários ou não
Por forte somos todos outros Titãs
E a vida assim irá sarar, virá sã

O mundo é bão, Sebastião
O mundo é bão, Sebastião
O mundo é bão, Sebastião
O mundo é teu, Sebastião"